Ano de 2019 teve o segundo maior número de casos registrados de dengue

O ano de 2019 teve o segundo maior número de casos de dengue desde que a notificação obrigatória sobre a doença começou, em 1990. O Ministério da Saúde ainda não terminou de compilar casos registrados no fim do ano, mas, de 1º de janeiro a 7 de dezembro, o país tinha 1,53 milhão de notificações da enfermidade, a maioria delas em Minas Gerais e São Paulo.

O número perde apenas para 2015, quando 1,69 milhão de casos foram registrados. Em relação a 2018, foi um aumento de quase 600%. Segundo a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde), parte da razão para a explosão da epidemia foi a mudança no subtipo de vírus predominante no país.

Segundo especialistas, a circulação de diferentes subtipos de vírus da dengue está tornando mais difícil prever a dinâmica das epidemias, principalmente depois da introdução dos vírus da zika e da chicungunha, transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.

Nordeste em alerta

Em entrevista ao jornal O Globo, o engenheiro sanitário, Rodrigo Said, coordenador-geral do Programa de Vigilância e Controle das Arboviroses boa parte das atenções da SVS em 2020 estão voltadas para o Nordeste, que teve poucos casos em 2019.

“O litoral do Nordeste é uma área com alta densidade populacional, e lá o sorotipo predominante ainda é o 1. Temos observado a região esperando o momento da alteração para o 2, mas isso por enquanto não aconteceu”, afirma Said.

Para especialistas, a presença de múltiplos arbovírus no país torna difícil não apenas prever o futuro, mas também entender o histórico passado da incidência da dengue.

Combate ao mosquito

Desde o meio do ano passado, o governo federal vem anunciando algumas medidas para tentar frear a volta da dengue, mas o trabalho surtiu pouco efeito no curto prazo. Uma das iniciativas foi a antecipação, de dezembro para setembro, da campanha de conscientização para eliminar os focos de água parada que servem como criadouros do mosquito.

Neste ano, o ministério diz buscar melhorar a articulação do poder federal com estados e municípios, que trabalham na linha de frente das epidemias. Said afirma que a SVS já realizou reuniões em todos os estados do Nordeste, a região prioritária de vigilância em 2020, para atualizar os planos de prevenção.

A ferramenta de saúde pública mais aguardada para o setor, porém, não deve estar disponível antes de 2021. A vacina de dengue desenvolvida pelo Butantan e pelos NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA) deve encerrar neste ano a terceira e última etapa de seu teste clínico. Mas, mesmo que o trabalho tenha êxito, o tempo de espera para licenciar o produto e incorporá-lo ao sistema de saúde torna difícil que o calendário de 2020 acomode uma campanha de imunização da dengue.

Além das campanhas de conscientização, o Ministério da Saúde estuda expandir projetos como o uso da bactéria Wolbachia e de mosquitos irradiados para controle do Aedes, diz Said. Via Bnews.
 

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