Com informalidade acima da média, trabalhador do interior da Bahia ganha metade do que recebe o de Salvador e Região Metropolitana

Imagem Ilustrativa

O mercado de trabalho baiano ainda apresentava, no 1º trimestre de 2019, indicadores desfavoráveis, alguns dos quais estavam entre os piores do Brasil. Quase todos esses indicadores eram ainda piores que a média no interior do estado e ficavam bem inferiores aos verificados em Salvador e na região metropolitana da capital.

Uma das desigualdades mais acentuadas dizia respeito ao percentual de trabalhadores informais, refletindo também numa importante diferença de rendimento médio, em prejuízo dos que trabalham no interior.

Essa não era uma exclusividade da Bahia. Ocorria também na maioria dos estados, com diferenças mais marcantes normalmente no Norte e Nordeste do país e menos importantes no Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

No interior da Bahia estão cerca de 7 em cada 10 baianos em idade de trabalhar, ou 72,4% das pessoas de 14 anos ou mais de idade (8,7 milhões, em números absolutos). Salvador sozinha responde por 2 em cada 10 pessoas nesse grupo de idade (20,3% ou 2,4 milhões). Somando à capital os demais municípios da região metropolitana, chega-se a quase 3 em cada 10 (27,6% da população em idade de trabalhar, ou 3,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade).

Em comparação com essa distribuição demográfica, o interior tem menos representatividade tanto entre quem está efetivamente trabalhando (responde por 67,3% da população ocupada na Bahia) quanto entre os que procuram trabalho (com 66,4% da população desocupada). Por outro lado, o interior tem numa maior participação na população fora da força de trabalho, ou seja, que não trabalha nem está procurando, respondendo por quase 8 em cada 10 pessoas nessa situação (79,8%). Por isso, o interior tem também uma taxa de desocupação (18,1%) ligeiramente menor que a média da Bahia (18,3%) e da RM Salvador (18,7%).

Entre os que trabalham, porém, a informalidade era bem maior no interior do estado. Enquanto na Bahia como um todo, metade dos 5,7 milhões de trabalhadores eram informais no 1º trimestre (50,5% da população ocupada eram empregados ou trabalhadores domésticos sem carteira assinada, ou trabalhavam por conta própria ou como empregadores, mas sem CNPJ nem contribuição para a Previdência oficial), no interior a participação ia a quase 6 em cada 10 (57,4%). Um percentual de informais bem próximo ao verificado no Maranhão como um todo (57,5%), o segundo mais alto entre os estados.

Na cidade de Salvador, por outro lado, a informalidade atingia 35,4% dos trabalhadores. Considerando, além da capital, os demais municípios da região metropolitana, ia a 36,5%.

A alta informalidade é um dos fatores que impactam no fato de que os trabalhadores do interior baiano ganhavam, no 1º trimestre, o equivalente a 75,8% do rendimento médio da Bahia, que era de R$ 1.527, o 3º menor do país. No interior, um trabalhador ganhava, em média o equivalente a 75,8%  disso, ou seja R$ 1.157.

Esse salário era menos da metade (46,8%) do ganho médio de um trabalhador de Salvador (R$ R$ 2.471) e ficava bem próximo à metade (50,9%) do rendimento médio quando se consideravam, além da capital, os demais municípios da Região Metropolitana (R$ 2.271).

IBGE

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