Diocese de Camaçari emite nota referente ao envolvimento de padres com campanha político partidária

A Diocese de Camaçari publicou na última quinta-feira (24/09) através do bispo diocesano Dom João Carlos Petrini e o Conselho Presbiteral, uma nota a respeito do envolvimento de padres com campanha político-partidária.

A nota valoriza a importância da politica como forma privilegiada de caridade e incentiva que os leigos assumam essa responsabilidade, e proíbe os sacerdotes de participarem de atividades político-partidárias, cargos púbicos remunerados, de disponibilizar espaços físicos da paróquia para apoiar candidatos e aos leigos candidatos que se abstenham dos exercícios litúrgicos nas comunidades paroquiais durante a campanha eleitoral.


NOTA A RESPEITO DO ENVOLVIMENTO DE PADRES COM CAMPANHA POLÍTICO-PARTIDÁRIA


1. Visão positiva da política
A Igreja valoriza a atividade política, considerando-a como uma forma privilegiada de caridade social. Por isso, incentiva os seus fiéis leigos a assumirem suas responsabilidades no serviço ao bem comum, que é a razão de ser da atividade política.
O Papa Francisco sobre o envolvimento social dos católicos falou: “Para o cristão, é uma obrigação envolver-se na política. Nós, cristãos, não podemos dar uma de Pilatos e lavar as mãos. Devemos envolver-nos na política, pois a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. E os leigos cristãos devem trabalhar na política”.

2. Os leigos e sua vocação política
São muitos os homens e mulheres com vocação política; é a eles que corresponde agir, por iniciativa própria, no político e no social. A Igreja respeita profundamente todos os leigos que participam da promoção do bem comum, considerando-o como um dever ético para todos os membros da sociedade. Aos padres corresponde acompanhar os leigos na formação permanente de uma consciência reta.

3. O sacerdote está acima de qualquer parte política
Ao mesmo tempo, o Concílio Vaticano II ensina: “A Igreja, que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (Gaudium et spes, 76).
Pode-se ler no Doc. De Puebla: “Os pastores, uma vez que devem preocupar-se com a unidade, despojar-se-ão de toda ideologia político-partidária que possa condicionar seus critérios e atitudes” (Puebla, 526).
O Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros explica: “O sacerdote, servidor da Igreja que em virtude da sua universalidade e catolicidade, não pode ligar-se a nenhuma contingência histórica, estará acima de qualquer parte política. Ele não pode tomar parte ativa em partidos políticos ou na condução de associações sindicais, a menos que, na opinião da autoridade eclesiástica competente, o exijam a defesa dos direitos da Igreja e a promoção do bem comum” (n.33).
O Código de Direito Canônico ordena: “Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular…; são proibidos de assumir cargos políticos que impliquem participação no exercício do poder civil” (cân. 285 §1 e 3); Filiar-se a partidos políticos (cân 287 §2); Pré-Candidatar, Candidatar e Disputar cargos eletivos (cân 285 §3).

4. O padre é um homem a serviço da fraternidade
Os sacerdotes são homens a serviço de todos, em busca da fraternidade espiritual. Tomar partido envolve o risco de dividir: por isso, os padres não podem intervir diretamente na ação política nem na organização social.

Reduzir a missão do padre a tarefas que são próprias do mundo civil não é uma conquista, mas uma gravíssima perda para a fecundidade evangélica da Igreja inteira. O apelo constante dos leigos, dos pobres, dos doentes, dos marginalizados, das crianças, dos jovens e das famílias testemunha isto.

5. A norma a ser respeitada
Portanto, considerando o que dispõe a Tradição e ordena o Magistério da Santa Igreja a respeito da  identidade sacerdotal, consignada nas sábias e precisas Normas do Código de Direito Canônico, assim como as inúmeras orientações dos Bispos, de forma fraterna, mas determinada, venho pela presente Nota dizer que os ministros ordenados, que atuam na Diocese de Camaçari, estão proibidos de participar de atividades político-partidárias ou cargos públicos remunerados, bem como usar ou disponibilizar qualquer espaço físico da paróquia para apoiar candidatos ou partidos políticos; Usar ou disponibilizar dos meios de comunicação para apoiar candidatos ou partidos políticos; Aquele que desrespeitar esta norma estará sujeito à suspensão do exercício das ordens sagradas; Recomenda-se aos leigos candidatos que exercem serviços na Liturgia nas comunidades paroquiais que, durante a campanha eleitoral, se abstenham de suas funções.
Dada e passada em nossa Cúria diocesana de Camaçari, aos 24 de setembro de 2020.

Dom João Carlos Petrini

Bispo Diocesano de Camaçari.
Conselho Presbiteral

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