Flordelis chora ao ver filhos em audiência do processo em que é acusada da morte do marido; nora diz que casa tinha ‘facções’

A deputada federal Flordelis dos Santos de Souza participa, nesta sexta-feira, dia 27, da segunda audiência do processo no qual é ré pela morte do marido no fórum de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ela está acompanhada do advogado, Anderson Rollemberg. A parlamentar é acusada de ser mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo em junho de 2019. A deputada chorou bastante quando os filhos e neta chegaram ao fórum. Ela escondeu a tornozeleira eletrônica, que foi obrigada a utilizar pela Justiça, com uma meia.

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Flordelis foi a primeira a chegar ao plenário, por volta das 9h. Cerca de dez minutos depois, os outros réus, que estão presos, foram conduzidos à sala de audiência. Na sessão, são ouvidas testemunhas de acusação. Flordelis é ré no processo junto com outros sete filhos e uma neta, além de um policial militar e sua mulher. Uma de suas noras afirmou, na audiência, que havia “facções” na casa da parlamentar. Luana Rangel disse que a família era dividia entre pessoas mais próximas a Flordelis e outras, a seu marido.

— Digo que havia facções. Existiam pessoas com as quais a Flor contava e outras, com que o pastor contava. A maioria dos ligados à pastora eram os que não trabalhavam. E os ligados ao Anderson eram os que trabalhavam. Ele era muito rigoroso — relatou Luana, esposa de Wagner Andrade Pimenta, o Misael, filho afetivo de Flordelis.

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Luana relatou ainda que alguns filhos possuíam tratamento diferenciado, com acesso à bolsa e à geladeira da deputada.

— Por que alguns filhos não entravam na escala de trabalho da casa? Uns filhos ganhavam celulares novos e outros, os velhos — relembrou.

Flordelis com a tornozeleira eletrônica, que ficou escondida com uma meia
Flordelis com a tornozeleira eletrônica, que ficou escondida com uma meia Foto: Fabiano Rocha / Extra

A nora de Flordelis, ao se aproximar da família, tinha mais afinidade com a parlamentar e ouvia os relatos da deputada sobre o marido. Ela disse ainda que tinha medo da vítima.

— Ela (Flordelis) dizia que ele era tirano e injusto. Tinha momentos que eu perguntava porque ela não se separava e ela dizia que não podia escandalizar a igreja — contou.

Luana está sendo ouvida como testemunha de acusação no processo. Além de Flordelis, são réus sete filhos da parlamentar e uma neta. A mulher de Misael ainda relatou que em determinada ocasião, no fim de 2017 ou 2018, ouviu de Flordelis que Anderson “não passaria daquele ano”.

— Ela dizia que Deus já havia falado para ela isso porque ele (Anderson) estava atrapalhando a obra de Deus.

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A nora da deputada afirmou também que a eleição de Flordelis aumentou ainda mais a insatisfação de membros da casa com a liderança que o pastor possuía.

— Foi a gota d’água. Gerou muita insatisfação dos filhos — disse Luana, acrescentando ter presenciado quando, após a eleição, Simone dos Santos, filha biológica de Flordelis, afirmou que “não precisariam mais dele”, referindo-se ao pastor.

Ao ser perguntada sobre a participação de Flordelis no caso, Luana afirmou acreditar que a sogra é a mandante do crime:

— Ela é o cérebro disso tudo.

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Primeira audiência

Na primeira audiência, no dia 13 de novembro, foram ouvidas cinco testemunhas de acusação, entre elas os dois delegados que conduziram as investigações, Bárbara Lomba e Allan Duarte. Flordelis é a única dos 11 réus que não está presa. Em razão de sua imunidade parlamentar, ela só poderia ser presa em flagrante delito por crime inafiançável. Há pouco mais de um mês, a deputada está sendo monitorada por tornozeleira eletrônica.

Foram decretadas ainda outras medidas cautelares, como proibição de contato com outros réus no processo e também com quatro pessoas que ainda são investigadas por suspeita de participação no crime. Do jornal Extra.

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