Gás de cozinha e gasolina sobem mais de 10% em 2021 em Salvador; entenda como preço é formado e dicas para economizar

Não é novidade que o preço do gás de cozinha e dos combustíveis, especialmente a gasolina, têm subido bastante nos últimos meses. Assim como tem acontecido com os alimentos, a alta nos combustíveis tem gerado um impacto grande no orçamento pessoal. E, além disso, forçado uma mudança de comportamento para que continuem cabendo nas contas.

Em 12 meses, a alta do gás e da gasolina em Salvador e Região Metropolitana foi maior do que a média nacional.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada dos 12 meses em Salvador e região gerou uma alta de 22,76% no gás de cozinha, 18,93% na gasolina, 24,15% no etanol e 14,18% no diesel. A média nacional para o gás de cozinha é de 18,26%, enquanto a gasolina ficou em 15,80%.

O aumento dos preços neste ano também tem pesado no bolso dos baianos. O gás aumentou 11,44%, enquanto a gasolina subiu 15% nos três primeiros meses de 2021. Uma rotina que tem feito muita gente mudar costumes e buscar economia para manter o orçamento doméstico em dia.

O gás aumentou 11,44%, enquanto a gasolina subiu 15% nos três primeiros meses de 2021 — Foto: Reprodução/TV Bahia
O gás aumentou 11,44%, enquanto a gasolina subiu 15% nos três primeiros meses de 2021 — Foto: Reprodução/TV Bahia

De acordo com o planejador financeiro, Raphael Carneiro, esses aumentos impactam diretamente a vida das pessoas e geram um efeito cascata.

“No primeiro momento, há o impacto imediato nas contas do mês para quem tem automóvel e usa o gás de cozinha. Na sequência, efeitos colaterais como os aumentos na tarifa de transporte e no preço dos produtos que precisam de frete ou daqueles de produção caseira”, afirma.

Segundo ele, neste último caso, o impacto é ainda maior. “A produção caseira normalmente é feita por pequenos comerciantes e autônomos. Em muitos casos, a produção da ’empresa’ é misturada com o dia a dia. Utilizam o mesmo gás e fazem as compras no mesmo momento, por exemplo. E geram uma grande preocupação: repassar ou não as constantes altas para os preços dos produtos”, disse.

De acordo com Carneiro, como nesses casos os consumidores têm situação econômica parecida ou são na maioria das vezes conhecidos, há um receio em aumentar o preço cobrado.

Assim, as autônomas – na maioria das vezes são as mulheres quem buscam essa renda – então diminuem a margem de lucro para evitar cobrar mais dos clientes. “Assim, sofrem com o aumento na vida pessoal e a queda do lucro na versão pessoa jurídica. O impacto é muito maior do que a inflação diz”, afirma Raphael.

O que explica as altas constantes?

As pessoas sentem facilmente cada aumento anunciado de maneira imediata. Não precisa de muita teoria ou espera para perceber o que 5% de alta no preço do gás ou da gasolina podem fazer com o orçamento mensal. “A prática ensina rapidamente, mas não é com a mesma facilidade que as pessoas entendem o que tem causado esses aumentos constantes”, conta o planejador.

A possibilidade de anúncios de mudança de preço quase que semanais acontece por causa da política de preços praticada pela Petrobras, explica Raphael.

“Até 2017, a empresa era quem determinava qual seria o valor cobrado. A partir de julho daquele ano houve uma alteração no processo. A precificação passou a acompanhar o preço do barril do petróleo no mercado internacional e a variação do dólar”, afirma.

Assim, se há aumento do valor cobrado internacionalmente pelo preço do barril e/ou uma variação no câmbio, aumenta-se o valor do gás de cozinha e da gasolina. Somente este ano, houve um reajuste de 27,5% no diesel e 34,8% na gasolina. “Esses aumentos são realizados no preço cobrado pela Petrobras para a venda. Isso é diretamente repassado para o preço final, que tem ainda a incidência de impostos, taxa de revenda, transporte e comercialização”, conta.

Do valor final do preço da gasolina, por exemplo, 32% equivalem ao valor cobrado pela Petrobras na venda do produto, enquanto 45% são relacionados aos impostos. Dessa forma, essas duas variantes compõem 77% do preço do combustível.

“Essa inconstância com a política de preço ligada ao mercado internacional faz com que não seja possível ter uma previsibilidade nos valores. O mesmo tem acontecido com o gás de cozinha desde a alteração da política em 2019”, conta Raphael Carneiro.

Segundo ele, o reajuste deixou de ter uma periodicidade definida para alterações a depender do mercado internacional, como ocorre com a gasolina e o diesel. “Antes, os preços do gás de cozinha eram revistos a cada três meses e levavam em consideração a média de cotações dos últimos 12 meses”, afirma.

Essa política gera resultados opostos. De um lado, a Petrobras tem tido lucros crescentes. Do outro, a população tem sofrido. Além disso, dificulta a previsibilidade pessoal, de pequenas ou grandes empresas. “Não há, inclusive, como fazer qualquer previsão sobre os preços em um ou 12 meses. Isso porque sempre dependerá dos valores do mercado internacional e da cotação do dólar”, diz Raphael Carneiro.

Para minimizar essas oscilações, tem sido estudada a criação de um fundo de estabilização. Seria uma forma de a Petrobras absorver as variações no curto prazo para evitar esse repasse à população. A medida, no entanto, ainda não foi definida.

Como economizar no gás de cozinha

Enquanto não há uma definição sobre a mudança ou não na política de preços da Petrobras, resta aos consumidores tentar economizar dentro do possível. No caso do combustível, as restrições em função da pandemia podem colaborar forçosamente para evitar gastos ainda maiores.

Por outro lado, quem precisa se deslocar tem evitado o transporte público em função da aglomeração, o que gera mais gasto com gasolina. Em relação ao consumo do gás de cozinha, as restrições contribuem para aumentar o consumo, já que as pessoas estão mais dentro de casa.

Veja dicas do planejador financeiro para ajudar na economia do gás de cozinha:

  • Atenção com as chamas: o esperado é que elas estejam azuis. No caso de estarem amareladas ou alaranjadas, é uma indicação que a boca do fogão está suja, o que gera um maior consumo do gás;
  • Forno fechado: abrir e fechar a porta do forno com ele ligado é uma péssima ideia. Faz com que o consumo aumente. Além de deixar a porta fechada, tente colocar mais de um alimento por vez para assar, desde que tenham tempos de cozimento similares;
  • Sem vento na cozinha: o que também precisa ficar fechado são as portas e janelas. Ter vento circulando na cozinha, na região das bocas do fogão, faz com que o consumo aumente, já que o vento diminui a potência da chama e eleva o tempo de preparo;
  • Panela de pressão: a utilização da panela de pressão acelera o cozimento. Em alguns casos, a comida fica ainda mais saborosa. E você pode fazer do feijão ao macarrão;
  • Vapor como aliado: você pode aproveitar o vapor do cozimento do arroz para colocar uma ‘escorredeira’ em metálica em cima e cozinhar legumes, por exemplo;
  • Pedaços pequenos: se a ideia é cozinhar carnes, quanto menor o pedaço, menor o tempo de cozimento. Pense nisso;
  • Sem desperdício: em alguns pratos há a necessidade de preaquecer o forno. É preciso, mas atenção ao tempo necessário. Não precisa ligar o forno por 30 minutos se a receita pede somente cinco.

Em 2021

  • Gás de cozinha 11,44 (nacional 10,53) – quarta maior alta entre as 11 regiões
  • Gasolina 15 (nacional 16,20) – décima maior alta entre as 11 regiões (etanol subiu 19,5% e diesel subiu 15,35% em 2021)

Mensal

  • Gás de cozinha 5,35 (nacional 4,6) – terceira maior alta entre as 11 regiões
  • Gasolina 12,62 (nacional 11,18) – terceira maior alta entre as 11 regiões (etanol subiu 15,81 e diesel subiu 11,75% no mês)

Em 12 meses

  • Gás de cozinha 22,76 (nacional 18,26) – terceira maior alta entre as 11 regiões
  • Gasolina 18,93 (nacional 15,80) – quarta maior alta entre as 11 regiões (etanol subiu 24,15% e diesel subiu 14,18% em 12 meses)

Fonte: G1