Governo espanhol promete agir para conter violência em protestos

O chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, garantiu nesta sexta-feira (19) que seu Executivo “enfrentará qualquer tipo de violência”, após três noites consecutivas de protestos e confrontos no país pela prisão de um polêmico rapper.

“A violência é um ataque à democracia. Consequentemente, o governo da Espanha enfrentará qualquer tipo de violência”, afirmou o líder socialista, que rompeu, assim, um silêncio bastante criticado pela oposição de direita.

Sánchez também considerou “inadmissível” a escalada nos protestos.

“Em uma democracia plena, e a democracia espanhola é uma democracia plena, é inadmissível o uso de qualquer uso de violência”, insistiu Sánchez, em um ato na região de Extremadura (oeste).

Os protestos geraram tensão com seu sócio de coalizão, o Podemos (esquerda radical), depois que alguns de seus líderes aplaudiram os protestos e condenaram a ação policial.

Na quinta-feira à noite, 16 pessoas foram presas em Barcelona e Valência, durante distúrbios no terceiro dia consecutivo de distúrbios depois da detenção do rapper Pablo Hasél, de 32 anos, informaram as autoridades locais.

Seu caso gerou um debate sobre a liberdade de expressão na Espanha, com antecedentes similares ao do rapper Valtonyc, que fugiu para a Bélgica em 2018 para evitar ser preso.

Detenções e feridos

Em Barcelona (nordeste), que acumula três noites de protestos, a polícia registrou oito novas detenções por “atos de vandalismo e distúrbuos”, que se somam às 51 pessoas presas desde terça-feira na região da Catalunha.

Os manifestantes jogaram objetos contra a polícia, ergueram barricadas com lixeiras e mobiliário urbano em chamas e atacaram a redação de um jornal local.

De acordo com os serviços regionais de emergência, seis pessoas foram atendidas por ferimentos.

Em Valência (leste), o protesto para exigir a liberdade de Pablo Hasél também gerou confrontos entre os manifestantes e a polícia, que avançou contra a multidão e disparou projéteis de espuma.

Segundo a Polícia Nacional, foram feitas oito prisões, e dez agentes ficaram feridos. Os serviços de emergência não informaram o número de manifestantes feridos.

Os confrontos explodiram na noite de terça-feira (16) na Catalunha, horas depois da detenção do rapper. Ele foi condenado a nove meses de prisão por tuítes, nos quais insultava a monarquia e a polícia e elogiava pessoas envolvidas em crimes de terrorismo.

A mobilização se espalhou para outras cidades do país, como Granada e Madri. Uma nova manifestação está sendo preparada para acontecer na capital no sábado (20).

Nesta sexta-feira, uma greve e uma manifestação estudantil foram convocadas para a região da Catalunha, local de origem do polêmico rapper e onde os protestos foram mais intensos.

O balanço de detidos desde terça-feira é de quase 100 pessoas. Também houve vários ferimentos, incluindo uma jovem que perdeu a visão de um olho em Barcelona, provavelmente devido a um projétil de espuma disparado pela polícia. Da AFP.

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