Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval: ‘Para que ele não faça com mais ninguém’

Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval — Foto: Arquivo pessoal

Um motorista de transporte por aplicativo registrou boletim de ocorrência na delegacia de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, depois de ter sido assediado e agredido por um passageiro em uma corrida na saída do carnaval da capital baiana.

O caso aconteceu na manhã de domingo (23). Nesta quinta-feira (27), o G1 conversou com Daniel Lima, que contou como o caso aconteceu.

“Foi umas 6h30. Peguei essa corrida em Ondina, para um hotel em Lauro de Freitas, em Buraquinho. Ele entrou no carro e começamos a conversar. Ele disse que tinha trabalhado muito no carnaval, que fazia parte da equipe administrativa do DJ Alok. Deu detalhes sobre o DJ, falou do irmão gêmeo dele [de Alok], da festa Universo Paralelo. A corrida, pelo aplicativo, daria mais de R$ 150, então acertamos o valor fora do aplicativo por R$ 100. Fiquei logo alegre de fazer a corrida, porque era um dinheirinho a mais”, conta Daniel.

Ainda segundo ele, o homem se identificou com um nome que ele não sabe se é o dele. “Ele próprio tinha se identificado com esse nome, mas eu não sei se é o nome verdadeiro dele, nem se ele realmente trabalha para o Alok”, disse.

O G1 entrou em contato com a assessoria do DJ Alok, que informou que não existe nenhuma pessoa na equipe com o nome identificado pelo motorista. A assessoria disse ainda que toda a logística do time do artista é feita por motoristas contratados pelo escritório e contratantes dos shows em vans credenciadas.

No meio da corrida, Daniel parou em um posto de gasolina para abastecer o carro. Enquanto o veículo ia sendo abastecido, ele aproveitou para descer e fazer xixi no posto de conveniência. Daniel disse que deixou cerca de R$ 25 reais no carro, dinheiro que usa para dar troco aos passageiros, mas notou que o valor tinha sumido ao voltar para o veículo.

Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval — Foto: Arquivo pessoal
Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval — Foto: Arquivo pessoal

“Quando eu voltei para o carro, eu segui viagem. E aí eu olhei onde guardei o dinheiro e não estava lá. Olhei no meu bolso antes de perguntar a ele e não estava. Eu pensei: ‘Será que ele roubou meu dinheiro? Um cara que está em um hotel bom’. Mas eu não quis acusar. Aí eu pensei: ‘Na hora que ele abrir a pochete eu vou olhar’, mas não disse nada a ele”.

Daniel conta que em um determinado momento, na região da Avenida Luís Viana, também conhecida como Avenida Paralela, o homem o assediou.

“No caminho, ele passou a mão em mim, querendo apertar meus órgãos sexuais. Aí eu pedi para ele parar, porque eu não sou homossexual. Eu comecei a conversar para distrair ele e ele não mexer mais comigo. Aí, na região do Parque de Exposições, ele mexeu de novo comigo, da mesma forma. Eu perguntei a ele se ele não tinha entendido que eu não curtia. E pedi para parar novamente, porque já estava chegando no destino dele”, lembra Daniel.

Quando chegou no destino da corrida, Daniel percebeu o dinheiro guardado na pochete do passageiro.

“Foi só ele abrir a pochete, que eu vi meu dinheiro bem em cima. Aí eu disse a ele: ‘Você pode me devolver esses R$ 25 que o senhor pegou no meu carro, na hora que eu fui no banheiro? Você tem seu dinheiro e eu estou trabalhando’. E ele devolveu o dinheiro. Na hora de pagar a corrida, ele não queria pagar em dinheiro, como acertamos, queria pagar no cartão. Eu disse que no cartão tinha um valor a mais, por causa dos custos e que ficaria R$ 120. Depois que ele pagou, ele pediu um recibo e eu dei”, conta Daniel.

Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval — Foto: Arquivo pessoal
Motorista de aplicativo relata assédio e agressão após corrida durante carnaval — Foto: Arquivo pessoal

Depois que o valor da corrida foi acertado e o homem desceu do carro, Daniel relata que ele passou a xingá-lo.

“Ele começou a me chamar de ladrão. Aí eu desci do carro e disse que ladrão era ele, que tinha pego meu dinheiro, e ainda tinha me assediado. Ele não se contentou e me agrediu. Me deu uma sapatada. Aí entramos em luta corporal e ele me deu duas mordidas, nos braços esquerdo e direito”, disse Daniel.

O motorista registrou o caso na 23ª Delegacia de Lauro de Freitas. Segundo a assessoria da Polícia Civil, a delegacia que vai apurar as circunstâncias do fato, Daniel passou por exames de corpo de delito e precisou ser atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), por causa dos ferimentos.

“Eu tentei pedir o nome dele no hotel, para confirmar mesmo, mas disseram que não iam dar, apenas confirmaram que ele realmente estava hospedado lá. A polícia me informou que vai acionar o SI [Serviço de Investigação] para tentar confirmar a identidade dele, mas ele não está mais em Salvador, viajou na terça-feira [25]. Eu vou levar essa situação para frente, para que ele não faça mais isso com outras pessoas”, disse Daniel. Informações do G1.

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