Nova York pode acelerar obras públicas para reativar a economia

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, propôs nessa terça-feira (26) acelerar o plano de construção da infraestrutura do estado para reativar a economia após a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. O estado teve seu menor número de mortos (73) desde 25 de março e reabriu todos os condados, com exceção da cidade de Nova York.

“Não tem um momento melhor para construir do que agora, precisamos reativar a economia, criar trabalhos e precisamos reformar e consertar as infraestruturas”, disse Cuomo antes de destacar: “Sabemos que o governo pode estimular a economia e vimos isso no passado”.

Em uma conferência de imprensa, realizada na Bolsa de Valores de Wall Street, onde ele tocou a campainha para dar início ao pregão — que voltou a ter corretores —, Cuomo disse que a ocasião marcou o primeiro passo da reabertura econômica do estado, pois a reabertura ainda não chegou à cidade de Nova York, que ainda não tem data para a retomada.

Entre os projetos citados pelo governador estão uma nova estação na Penn Station, o novo aeroporto de La Guardia e uma linha de trem que o ligue ao centro da cidade, a aceleração da implantação de energias renováveis ou a expansão da linha de metrô na Segunda Avenida em Manhattan.

Cuomo disse que para alguns desses projetos vai precisar de apoio do governo federal e disse que, nesta quarta-feira, irá se reunir em Washington com o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem vai tratar desses e de outros assuntos.

Novo recorde mínimo de mortes

Na coletiva, o governador anunciou uma nova queda no número diário de mortos pelo coronavírus, que entre segunda e terça ficou em 73, o total mais baixo desde 25 de março, assim como de novas internações, que chegaram a 201, também um novo recorde de queda.

Em Nova York morreram 29.229 pessoas por covid-19, segundo a Universidade Johns Hopkins, cuja contagem mostra que os EUA perderam mais de 99 mil vidas para a pandemia.

Sobre a cidade de Nova York, Cuomo disse que vai utilizar mais recursos nos bairros mais afetados pelo coronavírus, especialmente os de baixa renda e lar de comunidades minoritárias, especialmente negros e latinoamericanos.

Nesse sentido, ele deu dados sobre as internações por covid-19 nos últimos sete dias e destacou dez distritos da cidade onde aconteceram mais casos, especialmente no Bronx, Queens e Brooklyn. Nesses locais, o percentual de pessoas contagiadas chega ao dobro da média da cidade, algo em torno de 19 e 20%, segundo o governador.

Cuomo destacou que os novos contaminados não são trabalhadores dos setores essenciais, os únicos que estão ativos, mas os que estão parados em casa. Para ele, a doença está se propagando dentro das residências e na comunidade.

Reabertura em quase todo o estado

Sete condados ao norte da cidade de Nova York começaram o lento processo de reabertura de suas economias, o que significa que todo o estado começou a retomar suas atividades, menos a “Grande Maçã” e seus cinco distritos.

Com isso, os condados na região de Mid-Hudson (Dutchess, Orange, Putnam, Rockland, Sullivan, Ulster e Westchester), as pessoas já podem fazer compras em lojas ou na rua e começar a trabalhar nas indústrias e na construção.

A região, onde vivem mais de 2,3 milhões de pessoas, inclui o município de New Rochelle, que fica no condado de Westchester, que foi a cidade onde começou o surto da covid-19 no estado de Nova York.

A cidade de Nova York

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, por sua vez disse que tem a intenção de multiplicar o número de testes de coronavírus feitos na cidade, com o objetivo de subir dos atuais 20 mil exames diários para 50 mil até agosto.

De Blasio anunciou a abertura de 10 novos centros para realizar os testes, subindo o total para 180, e disse que a prioridade é para as pessoas com sintomas, as que tiveram contato com contagiados ou as que estão ou trabalham em asilos para idosos ou albergues, entre outros.

Além disso, a prefeitura pode colocar nas ruas uma campanha publicitária de US$ 10 milhões (cerca de R$ 53,5 milhões) para estimular os cidadãos a fazer os testes, que ninguém precisará pagar do próprio bolso.

A cidade também contratou 1700 pessoas que, a partir de 1º de junho, vão começar a trabalhar rastreando os contatos das pessoas que resultados positivos nos testes para covid-19, para fazer o isolamento desses casos.

Segundo De Blasio, essa tarefa será fundamental para controlar a pandemia quando tiver início a reabertura das atividades em Nova York, um passo que ele espera que seja dado nas primeiras semanas do próximo mês.

Por outro lado, o prefeito reagiu ao anúncio do presidente dos EUA, Donald Trumo, na última sexta-feira, que disse que todas as igrejas e templos religiosos estavam autorizados a reabrir imediatamente.

Ele disse que teve contato com líderes de diversas correntes religiosas da cidade e que eles vão reabrir com a condição de permitir que entrem os templos apenas dez pessoas de cada vez, no máximo, que é o limite fixado pelas autoridades estaduais para a retomada de qualquer atividade. Da Agência EFE.

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