Obra em prédio de luxo que teve dois mortos é irregular, diz prefeitura

A obra em que dois operários morreram na manhã desta segunda-feira, 18, na parte externa da Mansão Carlos Costa Pinto, no Corredor da Vitória, estava irregular. A afirmação é do secretário de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador, Sérgio Guanabara.

Romério Silva dos Santos, de 35 anos, e o sobrinho, Geovane Silva dos Santos, 17, despencaram do 5º andar (cerca de 20 metros de altura) quando estavam sobre estrutura montada na parte externa do prédio para serviço de revestimento da fachada. Um terceiro trabalhador, de 44 anos, de nome não revelado, foi socorrido para um hospital.

Segundo o secretário, não havia licença para a intervenção: “Tem duas obras lá. A do edifício, que resultou no acidente, e outra em uma unidade do próprio prédio. Não há licença no nosso banco de dados para essas duas intervenções”. Ele acrescentou que o síndico do condomínio, Roberto Oliva, pode responder judicialmente pelos danos.

Os engenheiros do órgão farão perícia no local na manhã desta terça, 19. A reportagem de A TARDE tentou entrar em contato com o síndico, mas ele não atendeu as ligações. Ele deve prestar depoimento nesta terça, na 14ª Delegacia Territorial (DT/Barra).

De acordo com a delegada Carmen Dolores, titular da 14ª DT, os mortos eram funcionários da empresa Tecport, contratada pelo condomínio. 

Em nota, o condomínio lamentou o acidente e informou que a Tecport teria alegado possuir todos os equipamentos de segurança. A Tecport não deu retorno até o fechamento desta edição.

Conforme o advogado Fernando Dalton, da área trabalhista, as condições em que o acidente ocorreu devem ser apuradas. Ele explicou que o condomínio, a empresa contratada e o síndico do prédio podem responder na Justiça.

MPT apura

O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades do acidente e as condições de segurança em que os operários estavam. Para o órgão, adolescentes não podem atuar em obras.

Nesta segunda, o órgão enviou dois peritos ao local e ainda vai solicitar os laudos periciais da Superintendência Regional do Trabalho e da Polícia Técnica. 

Fonte: A Tarde

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