Operação da PF no TJ-BA é alvo de críticas de desembargador

Foto: Divulgação/TJ-BA

Em carta pública direcionada aos colegas do tribunal e disponibilizada na mídia, o desembargador Carlos Roberto Santos Araújo, um dos candidatos à presidência do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), critica duramente a forma como a operação Faroeste, que investiga vendas de sentenças na corte baiana, foi conduzida pela Polícia Federal (PF).

Em uma matéria do portal A TARDE, publicada na última quarta-feira, 20, foi noticiada a estranheza pelo fato da decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes ter sido assinada em 30 de outubro e cumprida pela PF justamente na véspera da eleição, quando poderia ter sido feita pouco antes ou logo em seguida ao pleito.

Na carta, intitulada “Canto de amor à Bahia”, o desembargador aponta que “recentemente, as vésperas da eleição da sua mesa diretora, o vetusto Tribunal de Justiça da Bahia, o mais antigo de todas as Américas, símbolo maior da Bahia, foi invadido em medida exacerbada pela Polícia Federal, numa diligência com cerca de duzentos policiais, secundados por procuradores da República, com apoio de helicopteros e presença ostensiva da mídia televisiva. A diligência poderia ser efetivada por meros quatro policiais, de maneira discreta, como em qualquer país civilizado. Entretanto, teve aparato exagerado de policiais, duzentos agentes, sob a batuta de representantes do Parquet”.

Santos Araújo diz, ainda, que “medida espetaculosa, adredemente programada para as vésperas da eleição, com sabor eleitoreiro, pois. E de consequências danosas as eleicões, pois obstruiu candidaturas legítimas, instaurou perplexidade e indignacão. Tudo isto para dar margem à candidatura de preferência do soi disant Establishment do Tribunal”, e que “este mesmo grupo manobra para que haja candidato único, o seu, que seria a salvação da Pátria”.

Poder

No texto, o desembargador tece crítica à atuação de um grupo que pretende chegar ao poder no tribunal mediante candidatura única: “Ora, ora, ora, se isto não é uma fraude à democracia! Voltamos aos períodos de candidatos únicos , em que a oposição era obrigada a engolir goela abaixo as ‘soluções’ dos donos do poder. Como se esta não fosse a Bahia, a Terra da Liberdade”.

Na carta, o desembargador faz uma confissão no mínimo curiosa, a de que teriam solicitado a ele que desistisse da candidatura: “Afirmo, pois, a todos os colegas desembargadores, que não retirarei, como me foi ‘afetuosamente’ solicitado, a minha candidatura à presidência”.

Tido como uma magistrado integrante do núcleo duro do TJ-BA e com atuação rígida na condução de feitos criminais, o desembargador criticou abertamente a forma como a operação foi conduzida, para ele com tendência a prestigiar a candidatura do grupo que se intitula como “a elite social e política do tribunal”.

Caso haja a desistência dos desembargadores José Olegário Monção Caldas e Maria da Graça Osório Pimentel Leal, deverão entrar na disputa os desembargadores Cynthia Resende e Jefferson Assis. Especula-se no TJ que a eleição poderá ocorrer no próximo dia 4 de dezembro. Informações do Portal A Tarde.

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