PM muda atuação no Carnaval e fará policiamento ‘na retaguarda’

A imagem típica de Carnaval dos foliões abrindo espaço para a passagem dos policiais militares deve ser menos vista nesta edição da folia momesca. Isso porque há uma recomendação do comando da Polícia Militar para que os agentes trabalhem na retaguarda, ou seja, com um foco na observação e na análise dos foliões de fora da multidão. 

A mudança é um pedido da Associação Baiana dos Trios Elétricos Independentes (ABTI) e de artistas famosos, como Bell Marques, Leo Santana e BaianaSystem. A novidade foi anunciada durante coletiva de imprensa sobre planejamento da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) para a folia realizada nesta segunda-feira (17), no auditório do Hotel Fiesta.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão, explicou que a tropa pode entrar no meio da festa, mas deve fazer um trabalho de observação das pessoas que seguem os trios. 

“Vamos fazer uma recomendação para evitar ao máximo ficar perto das cordas para não disputar espaço com os foliões. Vamos patrulhar nas calçadas e mais com postos elevados de observação”, afirmou Brandão. O comandante ressalta que os policiais estarão presentes nos circuitos para observar a movimentação dos trios e do público.

A decisão de evitar atrito também foi influenciada pela redução de espaço nas ruas, afirmou Brandão. “As ruas ficaram mais estreitas com as reformas que foram feitas na Avenida Sete e em Ondina tirando mais espaço do folião na rua”, disse.

Em Salvador, 13 mil policiais militares atuarão nos três circuitos oficiais: Dodô (Barra/Ondina), Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Pelourinho). No total, a SSP terá 70 postos na capital e investe cerca de R$ 45,5 milhões na estrutura de segurança da festa.

O governador Rui Costa ressaltou que os policiais acabavam causando “intranquilidade” ao reagir às danças e movimentos mais energéticos dos foliões. “Com a multidão brincando, o PM vê excesso na brincadeira. Se o pelotão entra, ele vai usar energia igual ou superior aos foliões que estão brincando. Isso acaba trazendo a mesma intranquilidade que os foliões estão trazendo ou até mais”, disse. 

Rui ainda pontuou que com a observação distante, a possibilidade de alguém se machucar em alguma ocorrência com a polícia deve diminuir.

A retirada das cordas de parte dos trios auxilia na manutenção da segurança durante a folia. Segundo o governador, a maior parte dos conflitos ocorriam com o contato com as cordas devido a pressão que os cordeiros criam para manter o espaço dos blocos.

Reconhecimento facial
O governo espera que a segurança deste Carnaval tenha mais resultados que o ano passado com a inclusão de mais tecnologia na folia. De acordo com o comandante, a redução das ocorrências na folia momesca é fruto da prevenção. “Temos uma ferramenta de prevenção importante que é o uso da tecnologia”, afirmou.

“Os portais de abordagem com reconhecimento facial são uma grande ferramenta para auxiliar os trabalhos de quem vai fazer os dias de carnaval”, disse o secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Barbosa.

Neste ano, o sistema de Reconhecimento Facial da Secretaria de Segurança Pública vai ser ampliado. Serão instaladas câmeras em todos os 42 portais de entrada dos circuitos, o que resulta no uso de 84 equipamentos para este fim. Na folia de 2019, apenas 8 acessos possuíam o sistema, ainda em fase de testes.

“O uso de reconhecimento facial tem tudo para dar certo, vai reduzir bastante o acesso de pessoas com armas de fogo e arma branca e pessoas que podem ter uma prática ilícita no circuito”, pontuou o coronel.

Ainda serão instaladas 300 câmeras pontos estratégicos dos circuitos para fazer um acompanhamento 24h dos percursos.

As imagens são analisadas no Centro de Operações e Inteligência (COI) da SSP. O Grupamento Aéreo (Graer) também vai operar 10 drones, que vão enviar imagens em tempo real para o Centro.

O COI da SSP vai reunir 35 instituições estaduais, federais e municipais em um trabalho conjunto 24 horas por dia.

A SSP também vai utilizar o aplicativo Face Check para celular que é capaz de identificar o cidadão por meio de uma foto ou impressão digital. Também serão utilizadas câmeras analíticas para identificar placas de veículos.

A Polícia Civil vai atuar na Operação Carnaval 2020 com cerca de três mil policiais. Serão 1,7 mil agentes do Corpo de Bombeiros trabalhando na folia em Salvador.

Confira números dos órgãos na folia

Polícia Civil
3 mil policiais
13 postos integrados
7 centrais de flagrante
3 postos do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco)
4 postos da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI)
3 postos do Departamento de Atendimento à Mulher (Deam)
1 posto na sede da Polícia Civil
1 posto de atendimento às vítimas de racismo e outros delitos de intolerância
Atuação das delegacias de Repressão à Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca) e de proteção à pessoa (DHPP)
Delegacia Digital

Polícia Militar
13 mil policiais
285 unidades operacionais
42 postos de abordagens
8 bases especiais
6 postos de reunião de tropa
13 postos integrados
Parceria entre o Bope e a Ronda Maria da Penha para reduzir casos de violência contra a mulher

Bombeiros
32 unidades operacionais 
8 unidades de comando do grupamento marítimo
20 postos elevados de observação
4 viaturas de busca e salvamento
5 viaturas de combate a incêndio
4 ambulâncias do Salvar
5 viaturas realizando vistorias permanentes
3 motos náuticas 
3 quadriciclos

Departamento de Polícia Técnica
399 policiais
3 postos integrados
2 postos avançados do DPT
3 unidades móveis de perícia
40 servidores em equipes de pronta resposta. Informações do Correio.

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