Redes de pesca apreendidas são usadas para conter óleo em Abrolhos

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Redes de pesca apreendidas em operações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)  estão sendo usadas desde domingo (3) para tentar conter a chegada de resíduos de óleo no arquipélago de Abrolhos, do litoral sul da Bahia. 

De acordo com a Marinha as redes, doadas pelo ICMBio, foram distribuídas às colônias de pescadores de Caravelas, Alcobaça, Prado, Nova Viçosa e Mucuripe, na Bahia, com objetivo de serem empregadas para a contenção de resíduos. 

O trabalho de retirada de centenas de pequenos fragmentos de óleo cru tem exigido atenção total de quem trabalha no santuário que abriga a maior diversidade marinha do Brasil e do Atlântico Sul. Por isso, a visitação do Parque Nacional dos Abrolhos foi suspensa, neste domingo (3), por um prazo inicial de três dias.

A decisão foi tomada pelo chefe do parque, Fernando Repinaldo Filho, que considerou “as atividades em andamento de prevenção, controle e remoção do óleo, bem como a necessidade de minimizar riscos à saúde pública”.

A Marinha confirmou a chegada do óleo no arquipélago no sábado (2). Um dia antes, a mancha havia atingido Alcobaça, um dos polígonos de Abrolhos. Antes disso, já havia registros do petróleo no banco de recifes – fora da área do parque. 

Na ordem de serviço, assinada às 11h53 de ontem, Filho acrescenta que, conforme a avaliação de evolução ou não da presença de óleo no arquipélago, a suspensão pode ser prorrogada.

O Parque Nacional, criado em 1983, é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e é um berçário natural de espécies como a baleia jubarte e de corais raríssimos, considerados os mais saudáveis do Brasil.

Para o oceanógrafo Rogério Lapa, que integra o grupo de pesquisa em Recifes e Corais da Universidade Federal da Bahia (Recor/Ufba), o impacto em Abrolhos vai depender da quantidade de óleo que chegar ao local, o que ainda é uma incógnita.

“É uma região de extrema importância. O volume de corais é muito grande e quanto mais rápido se agir, menos o óleo vai aderir, mais rápido ele vai conseguir ser captado na água”, declarou.

Centenas de fragmentos
Presidente do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), Eduardo Camargo disse que, após quatro dias seguidos no mar, o que as equipes viram foram pequenos fragmentos de óleo, de dois a cinco centímetros. “Não é uma grande concentração, mas parece uma mancha bem grande e espalhada, então vão chegar muito mais fragmentos”, disse.

Segundo ele, além dos fuyncionários do parque e do próprio IBJ, há muita gente engajada na limpeza da região. “Tem as ONGs, o poder municipal, estadual, o ICMBio, a Marinha, estão todos engajados em fazer a limpeza das praias, do arquipélago, em limpar ao máximo, mas é um trabalho demorado, porque são centenas de fragmentos que precisam ser retirados um a um”, completou Eduardo.

Ele não considera o cenário “catastrófico”, mas afirma que a suspensão da visitação, neste momento, é uma atitude de prudência. “Para receber visitantes, você tem que dedicar atenção às pessoas e, nesse momento, todos os esforços estão concentrados na limpeza”, declarou. Informações do Jornal Correio.

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